Agosto é mês de falar de amamentação

1 de agosto de 2019

Agosto Dourado é o Mês do Aleitamento Materno. Entre os dias 1 e 7/8, ocorre a Semana Mundial da Amamentação. Sendo assim, não há momento mais propício para abordar a importância do aleitamento, tanto para as crianças quanto para as mães.

Os benefícios da amamentação integram a sabedoria popular: todos sabem que os bebês devem mamar. Pesquisas científicas e a literatura médica confirmam essa importância. Conversamos então com uma pediatra, conhecida nas redes sociais: a Doutora Kaka. A médica explicou diversas questões relacionadas à amamentação e também abordou casos em que ela não é indicada. Confira a entrevista.


MQA: POR QUE A AMAMENTAÇÃO É TÃO IMPORTANTE?
DRA KAKA:
O leite materno é o alimento mais completo para o desenvolvimento físico e emocional do bebê. Ele tem proporções adequadas de proteínas, de ferro e de gordura. Além disso, tem anticorpos, o que promove a redução de muitas doenças no aleitado. Nenhuma outra fórmula ou composição reúne tudo isso. Até o sexto mês dos bebês, o leite materno é o melhor alimento, tanto que as crianças alimentadas com o leite da mãe nesse estágio da vida não precisam beber nem água. Em um país de desigualdade social como o nosso, é importante ressaltar também a questão da gratuidade: ou seja, a mãe não precisa comprar produtos para alimentar o bebê, já que ela tem o leite de forma natural. Em relação à questão emocional, a amamentação estreita os vínculos entre mãe e filho. Em poucas palavras: não há nada melhor para os bebês do que o leite materno. Por isso, é muito importante que as mães cuidem bem de sua saúde desde o pré-natal, já que ela irá transmitir anticorpos ao bebê durante o aleitamento. Também gostaria de dizer que mães que amamentam têm menos chance de desenvolver cânceres de mama e de ovário.

MQA: UMA MÃE AMAMENTAR UM FILHO É UMA DEMONSTRAÇÃO DE CUIDADO E DE AFETO. NO ENTANTO, HÁ CASOS EM QUE O ALEITAMENTO GERA DESCONFORTOS À MÃE. COMO LIDAR COM ESSA QUESTÃO?
DRA KAKA:
Sempre digo que o que vale é o bom senso. Há de ser levada em conta a qualidade de vida, do bebê e também da mãe. Há casos de depressão pós-parto e de alterações hormonais e emocionais em que a mãe não tem estímulo para amamentar. Há ainda mães que sentem um desconforto absurdo ao amamentar, por conta de inflamação das mamas (mastite), sangramento ou empedramento do leite. A recomendação é que as mães se esforcem ao máximo para amamentar. Mas se o desconforto for insuportável, há medidas que podem ser tomadas. Em muitos casos, uma simples pausa na amamentação pode resolver o problema. A ordenha também pode ser uma solução. Outro ponto que é importante ressaltar: a amamentação, por mais que a mãe se esforce, pode não ser bem-sucedida. Nesses casos, a mãe não deve se culpar. Maternidade não é só amamentar.

MQA: HÁ CASOS EM QUE A AMAMENTAÇÃO É CONTRAINDICADA?
DRA KAKA:
Sim. Mães portadoras de HIV não devem amamentar, pois há risco de transmissão do vírus ao bebê. Crianças com diagnóstico de galactosemia também não devem ser amamentadas. De forma bastante resumida, a galactosemia é uma deficiência enzimática em que o açúcar do leite não é quebrado até a fase final e a galactose não é transformada em glicose. Desta forma, a galactose se acumula no organismo e pode gerar diversos problemas, como neurológicos, renais, hematológicos, hormonais e oftalmológicos.

MQA: HÁ OUTROS CASOS EM QUE A AMAMENTAÇÃO PODE SER PARCIALMENTE CONTRAINDICADA?
DRA KAKA:
Sim. A acidúria glutárica, assim como a galactosemia, é uma deficiência enzimática que pode ocasionar um quadro de encefalopatia, de alteração da função cerebral. A ingestão de leite, nesse caso, pode levar a convulsões e gerar sequelas neurológicas. Já a leucinose, outra deficiência enzimática, pode provocar, por exemplo, dificuldade de sucção, vômitos, desidratação, crises convulsivas e sinais de edema cerebral. Nos quadros dessas duas doenças, no entanto, há casos em que a amamentação pode ser realizada desde que de forma supervisionada.

MQA: A ACIDÚRIA GLUTÁRICA E A GALACTOSEMIA SÃO DOENÇAS RARAS DETECTADAS NO TESTE DO PEZINHO AMPLIADO?
DRA KAKA:
Sim. Hoje, no sistema público de saúde, o teste realizado detecta apenas seis doenças. Já o teste do pezinho ampliado, feito em redes particulares, rastreia até 53 doenças, entre elas a acidúria glutárica e a galactosemia. Por isso, a recomendação é de realização do teste ampliado. O diagnóstico e o tratamento precoces, de qualquer doença, são fundamentais para a diminuição de sequelas. Crianças com acidúria glutárica ou galactosemia, se tiverem um diagnóstico precoce, terão a chance de evitar sequelas e, assim, a qualidade de vida delas pode ser melhor. Portanto, acredito que se há um teste do pezinho ampliado, o ideal seria o poder público oferecê-lo a todas os recém-nascidos. Há famílias que não têm condições financeiras de pagar pelo teste. Por isso eu apoio a Campanha do Teste do Pezinho Ampliado.

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