Projeções oficiais e dados setoriais indicam que o país deve assumir liderança global na produção e na adoção de bioinsumos até o fim da década.
O Brasil se consolida como um dos principais polos mundiais para a adoção e produção de bioinsumos — produtos de origem biológica usados no controle de pragas, fertilização e saúde do solo — e projeta crescimento acelerado para os próximos anos. Dados recentes, oficiais e de mercado, indicam que o país vive um momento de transição, com forte aumento na demanda e investimentos crescentes em biotecnologia agrícola.
De acordo com o governo federal, o uso de bioinsumos no país cresce cerca de 28% ao ano. Em 2020, o registro de defensivos de baixo risco (bioinsumos de diferentes categorias) alcançou 95 produtos, um aumento de 121% em relação ao ano anterior.
Na safra 2023/24, o mercado de bioinsumos no Brasil registrou expansão de 15%, com faturamento estimado na casa dos R$ 5,0 bilhões, segundo levantamento da entidade representativa do setor.
Esses dados combinam com análises setoriais recentes, que apontam o país como candidato natural a ocupar posições de liderança global na produção e no uso de insumos biológicos nos próximos anos.
Por que o Brasil tem vantagem competitiva para liderar o uso de bioinsumos?

Biodiversidade e base natural ampla
A vasta biodiversidade brasileira e a riqueza de microrganismos adaptados a diferentes biomas oferecem matéria-prima de qualidade para bioinsumos. Isso torna o país especialmente apto para o desenvolvimento de produtos biológicos eficazes e adaptados às condições de clima e solo locais.
Forte setor agropecuário e diversidade de culturas
Com uma agricultura diversificada, abrangendo grãos, hortifrúti, café, cana, pecuária e florestas plantadas, o Brasil demanda soluções versáteis. Bioinsumos podem ser aplicados em variadas culturas, tornando sua adoção mais abrangente e com maior escala.
Ambiente regulatório favorável e trajetória de adoção crescente
Nos últimos anos, o país avançou na regulamentação de produtos biológicos. Em 2024, o governo destacou o Brasil como referência global na transição regulatória de bioinsumos. Atualmente, o país conta com um grande número de produtos registrados, o que favorece a oferta e o uso no campo.
Pressões ambientais, busca por sustentabilidade e demanda por menores impactos
A crescente pressão para reduzir impactos ambientais, conservar solo e água, e responder a exigências de mercados consumidores sensibilizados com sustentabilidade têm levado produtores a considerar os bioinsumos como alternativa ou complemento aos defensivos tradicionais.
Adesão crescente no campo: dados recentes mostram avanço real
Segundo dados de mercado, na safra 2023/24 constatou-se um crescimento de 15% no uso de bioinsumos em comparação ao ciclo anterior. Produtos de controle biológico, inoculantes e bioestimulantes tiveram aumento expressivo, mesmo em um contexto de pressão sobre insumos químicos.
Além disso, relatórios setoriais mais recentes afirmam que o Brasil já movimenta um volume anual significativo com bioinsumos — estimado em mais de US$ 1,5 bilhão — e que o mercado nacional poderia ultrapassar US$ 3,0 bilhões até o fim da década se mantidas as taxas de crescimento e adoção.
Para muitos especialistas, a combinação entre biodiversidade, capacidade produtiva, demanda interna e avanço regulatório consolida o Brasil como um dos principais hubs globais desse segmento nas próximas safras.
Benefícios associados e desafios ainda presentes
O uso de bioinsumos proporciona vantagens claras: menor impacto ambiental, conservação da biodiversidade, maior equilíbrio biológico no solo, potencial para manejo integrado de pragas e doenças e possibilidade de reduzir a dependência de produtos químicos convencionais.
Porém, especialistas alertam para desafios importantes: necessidade de maior pesquisa e inovação, investimentos em logística e distribuição, capacitação técnica de produtores e garantia de controle de qualidade.
Em artigo de 2025, um analista do setor destacou que, embora o mercado esteja em forte expansão, a competição entre produtos similares e a pressão por preços baixos podem comprometer a qualidade e a sustentabilidade da oferta.
O que isso representa para o agronegócio brasileiro e global?
Se o crescimento observado até aqui se mantiver, o Brasil pode se consolidar como referência mundial na produção e adoção de bioinsumos, servindo tanto ao mercado interno quanto à exportação dessas tecnologias.
Para produtores, o uso de bioinsumos pode significar:
- maior resiliência a pragas e doenças com menor impacto ambiental;
- menor dependência de insumos químicos e maior segurança sanitária;
- maiores chances de atender demandas de mercado por sustentabilidade, rastreabilidade e certificações ambientais;
- diversificação de estratégias agronômicas, aliados a boas práticas de manejo e tecnologias emergentes.
Para o setor como um todo, a expansão dos bioinsumos representa um movimento de modernização da agricultura — mais alinhado a demandas ambientais, econômicas e sociais — e um passo importante rumo a sistemas produtivos eficientes, competitivos e sustentáveis.